No início, faço algo parecido com um quase esboço. Nada mais que isso; um traço de um personagem, talvez um nome, um provável começo, oxalá um fim, trechos de um desenvolvimento. Uma parte é o que tenho, a outra será aquilo que vou descobrir escrevendo. Sei o que quero dizer, mas ainda não sei como o fazer. E é bom assim. É isso, sigo com o que tenho em mente. Depois o texto converte-se em uma entidade autônoma. Talvez nessa coisa resida o prazer que pode atenuar toda a angústia do processo. Porque entre o que temos em mente e o papel, tudo é movediço. Há a incerteza de que realmente vou traduzir em palavras precisas a imagem que paira na cabeça feito uma miragem. Não é como pegar passarinhos - o que já é difícil - mas sim, como tentar guardar os seus belos voos.
Blog do escritor brasileiro Reynaldo Bessa