Caxambu, Cruzília Lambari, Aiuruoca Baependi As conheci primeiramente pela voz Como uma geografia sonora Ela com sua boca grande lábios muito vermelhos falava dessas cidades como se, por aí, Deus tivesse iniciado o mundo - e por que não? – De uma delas, ainda ouço o som das charretes o borbulhar incansável das águas O longe verde O grande tambor A solidão dos que dormem cedo De outra, o sussurro do vento nas árvores Asas de um inseto gigantesco O frio de mármore A grande ladeira A solidão dos que morrem cedo Outra ainda Um tipo de ruína nobre Um projeto de cidade para um rei que nunca veio Em todas elas - como um cordão que une as contas - uma imensa mesa de madeira maciça rodeada de viúvas de gargalhadas tristes e desdentadas - as mulheres nunca morrem – o cheiro de café perfumando o tédio da tarde lenta com o Cristo sofrendo na parede O velho hotel desbotando a onipotência feito um homem pobre usando o tern...
Blog do escritor brasileiro Reynaldo Bessa