de repente, percebeu que ia morrer e pôs-se a correr os homens logo o trouxeram de volta fungava, trêmulo, indefeso parecia um condenado no corredor da morte - e não era? - seus olhos, ah, seus olhos... uma vez, Rosa disse algo assim: "olhe nos olhos de um cavalo e verá todo o sofrimento do mundo." vi esse sofrimento nos olhos de um boi esperava que aquilo terminasse como nos meus filmes de matinê mas aquilo não era um filme menos ainda com final feliz era o carneio nosso de cada dia... lembro que chorei e logo ouvi um dos homens dizer: "tira esse moleque daqui." minha mãe numa obediência silenciosa e enérgica de madre me puxou pelo braço, mas logo me desvencilhei dela permaneci como ali permaneciam as árvores eu não conseguia tirar os olhos daqueles olhos perdidos ...
tanta poesia poesia em tudo e o poema cá dentro renitente feito menino que não quer tomar banho