não vou mais permitir que você fale por mim [serei eu ainda?] que se esconda sob a minha efígie enquanto destila a sua bílis em meu nome não acha que já há sofrimento demais na poesia? não acha que os leitores, se é que eles existem, não estão saturados de tantos eus líricos fragilizados? e o que os leitores têm a ver com isso? não vou mais deixar que você use o meu crédito [terei eu ainda?] que passe o dia sob a minha sombra enquanto experimenta isto ou aquilo em meu nome não acha que já há lamento demais na poesia? não acha que os leitores, se é que eles existem, não estão cansados de todos esses eus líricos afetados? e o que os leitores têm a ver com isso? se quiser fazer poesia saia detrás de mim, dê um passo à frente, mostre a cara e assuma, de vez, o que diz todos nós, eus líricos, não estaremos mais sob os seus ditames e caprichos ...
Blog do escritor brasileiro Reynaldo Bessa