Com o tempo, o que marcam os relógios senão o intervalo - cada vez mais curto - entre o nosso nascimento e a nossa finitude? Os girassóis já se dobram pela ausência definitiva do sol Ah, se todo o ódio do mundo coubesse na mão fechada de um bebê e todo o amor do mundo entrasse nas pessoas, assim feito a chuva pelas goteiras das casas da minha infância Ah, se pudéssemos saltar os dias ruins nos calendários, assim como uma criança salta amarelinha. Sei que morrer faz parte da vida Sei que é apenas mais uma cláusula na página oposta desse contrato que traz a nossa assinatura muito antes de nascermos Mas não tenho medo dela - e ter medo muda alguma coisa? - Por que sobrecarregar nossos últimos marinheiros com os navios já encalhados? Devemos mesmo é embarcar naqueles que estão prestes a partir E que sua bujarrona infle-se de anseios Mas uma hora, é certo, a vida, esta longa estrada, precisa terminar porque não há pés suficientes para tamanha caminhada nem mãos para tantas orações, nem olh...
Blog do escritor brasileiro Reynaldo Bessa