Quem sabe quando é o fim? Quando percebemos a linha divisória entre o ficar e o partir? Será que é quando o beijo se torna apenas toque e o som do estalo dos lábios não mais contém o nosso nome? Será que é quando as mãos não sentem a necessidade das mãos ou quando ficar torna-se mais penoso do que partir? Quem sabe quando é o fim? Quando notamos o céu a fechar-se e os pés a inquietarem-se no lugar onde antes encontravam firmeza? Será que é quando o silêncio deixa de ser uma conversa sem palavras e pesa feito as asas de um pássaro sob a chuva? Será? Será que é quando os olhos não mais sentem a necessidade dos olhos ou quando ficar revela-se mais incerto do que partir? Quem sabe? Vamos, diga-me. Isso vem como um sinal vermelho, o final de uma estrada, a morosidade dos calendários, ou o pó sobre os móveis? Vem quando os corpos já não querem arriscar uma dança, as línguas mofam nas bocas ou quando murcha a última flor no jardim? Quando? Quando? Tentamos ainda cantar as nossas músicas e err...
Blog do escritor brasileiro Reynaldo Bessa