Cá estou em meu merecido descanso no Dia do Trabalho. Tenho receio que inventem o Dia do Descanso e eu tenha de trabalhar. Estou pensando nas profissões que já exerci. Porque é isso que essas datas fazem com a gente, seja o Natal, o Dia das Mães, dos Pais...: nos põem a fazer cálculos. Nisso, vi que trabalho desde os meus quatorze anos. Tanto tempo já se passou e ainda sinto o cheiro daquela fábrica fria. Se eu fechar os olhos agora, acho que ainda ouço o matraqueado daquelas máquinas assustadoras. Todas elas engolindo as nossas forças e os nossos sonhos e devolvendo um produto qualquer. Sêneca disse que quem ganha dinheiro fazendo aquilo que gosta não trabalha. São boas as intenções do filósofo de Córdoba, sim, mas me pergunto quantos podem se dar a esse luxo? A maioria, sabemos, é arrebatada da cama, todos os dias e muito cedo, para se prender a uma tábua de salvação para não ir para o fundo de vez. Penso num mundo utópico, o dia em que todos farão apenas o que gostam. Mas, esqueça i...
Blog do escritor brasileiro Reynaldo Bessa