há muito eu passava na Martins, comprava um livro, depois ia ao Domínio, pedia uma cerveja. Não, não pedia. O Márcio que trabalhava lá e me conhecia me trazia a cerveja como uma mãe oferece o seio ao seu filho. Eu, depois de um gole, esticava as pernas, olhava a Paulista e abria o livro como quem conquista um país. Faz tanto tempo. Ela ainda estava aqui dentro feito um pássaro num ninho e eu estava em mim como um chapéu na cabeça que já não se podia dizer o que era cabeça e chapéu. foi tudo antes de me perder. Antes do fim do mundo antes do antes. Foi quando todos se foram e eu me fui o Domínio está lá, a Paulista também. Eu, ela, nós é que não estamos mais. Estamos, mas não estamos como um busto de um tempo que se foi
Blog do escritor brasileiro Reynaldo Bessa