faz tempo que não vou lá é tão solitário; a tarde ajoelha-se como em oração e não sei mais rezar perco sempre as palavras apesar do tanto para dizer faz tempo que não te visito é tão triste; as árvores encolhem-se feito mães que choram e nunca sei o que fazer perco sempre os sentidos apesar do muito que sinto eu, ali parado, ao teu lado, e tão longe de ti você, ali parado, ao meu lado, e tão longe de mim faz tempo que não te levo flores que não limpo o pó do teu silêncio que não recolho as folhas que murcham sobre a tua ausência prefiro o frio da distância ao gelo da realidade de mármore
Blog do escritor brasileiro Reynaldo Bessa