Vários fatores contribuíram para minha paixão pela Língua Portuguesa. Mas posso me lembrar bem de um deles. Era eu - ainda com oito, nove anos - que escrevia as cartas do meu pai. Ele, num tom sisudo, ditava-as para mim. Eu tinha uma letra linda – adorava fazer exercícios de caligrafia - desenhava e gostava de ler. Nessa época, eu carregava sobre as costas o peso bigórnico da promessa. “Ele é inteligente, escreve bonito, desenha e gosta de ler. Vai sim, nos proteger das grandes tempestades vindouras”. Meu pai dizia. Então, quando ele precisava escrever uma carta, logo me chamava, apontava uma cadeira e me entregava lápis e papel. Vamos lá. Ao senhor fulano de tal...e ia. Eu ouvia atento e, orgulhoso, imprimia tudo com atenção e esmero. Meu pai rodava pela sala, a cabeça metida em palavras engessadas endereçadas aos seus patrões engessados. E eu mandava ver...Por meio desta, venho solicitar...e ele ia. Num dado momento, ele disse uma palavra que eu não fazia a menor i...