Quando ando pelas ruas, entro em alguns lugares, não resisto a me agachar ou a esticar o braço para pegar uma carteira de cigarro vazia e jogada ali, numa calçada, deixada em cima de um balcão, largada num banco de ônibus ou de uma praça. Gosto do formato, do brilho. Aprecio o papel prateado, ah, o dourado. Encanto-me com o barulhinho que faz. Bem provável que mesmo que eu estivesse com o joelho dolorido, ainda arriscaria um malabarismo tosco para apanhar a carteira ali, sozinha, vazia e dando saltinhos pela força do vento do clima genioso de sampa. Mas essa reverência bisonha não é de hoje. Preciso voltar alguns bons anos – quantos? Não importa - para tentar explicar esse fascínio por essas coisinhas vazias brilhando ao sol. Bom, pra começar, cada uma delas tinha um valor. Enquanto mais raras, mais valiosas. As carteiras dos cigarros Clássico, Hollywood, Continental, e outras desse mesmo tipo não valiam muito. Eram troco. Mas um Hilton, um Minister, um Carlton a coisa mudava de fi...
Blog do escritor brasileiro Reynaldo Bessa