Vai, sai desse silêncio. Logo o senhor que era tão falador. Que brigava com o âncora do jornal como se ele fosse o responsável pelo aumento dos preços das coisas, como se tivesse culpa pelo mar de corrupção no qual o país estava mergulhado. Vai, sai dessa inércia. Logo o senhor que se mexia tanto. Que parecia ter vários braços e pernas feito um Shiva do subúrbio a espernear e a dar braçadas com os sonhos não realizados. Sair assim, de repente, que coisa! pela porta dos fundos, como faz um devedor com os credores. Vai, me bate, me deixa ver de novo teus olhos irados a buscar os chinelos no intuito de me punir por mais uma das minhas travessuras. E eu que fugia para a rua e esperava a noite cair como caem as folhas. Isso até as coisas amainarem e o senhor se esquecer da sova. Então, de mansinho eu entrava em casa feito um ratinho com um olho no queijo e o outro no gato. Eu já não sou aquele desajeitado que sempre deixava cair o copo das mãos, não roubo mais as moedas dos teus bolsos, da ...
Blog do escritor brasileiro Reynaldo Bessa