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Mostrando postagens de janeiro, 2024

Meu quintal

no meu quintal há um rio i m e n s o suas águas são calmas e claras ouço os gritos dos meninos impetuosos em alegrias de descobertas de ser meninos banham-se no rio somem e logo aparecem feito peixes afoitos montanhas ao longe em suas inércias longevas são monges em meditações profundas em tudo paira a sabedoria secreta da existência sei disso - o silêncio me diz - mas não sei disso - o turbilhão das coisas me entorpece - vivo como peixe escapando e logo voltando ao anzol - armadilha constante - seria a existência - este ciclo divino e cruel - uma verdadeira armadilha? ouço o rio é um chiado de beleza i n t e n s a de chegadas e partidas de encontros e desencontros é como se eu tivesse ouvido esse som muito antes da minha existência e agora aqui estou e ouço minha voz no coro dos meninos que se banham Sou este coro sou eu e sou outro sou muitos é imenso o meu quintal é imenso o meu rio ...

e o que há de novo nisso, deus?

talvez eu nem chegue a me aposentar e este dinheiro que não vejo que não conto, fique para as velhas aves de rapina de sempre as aves e seus olhos imensos de medo e o que há de novo nisso, deus? não é assim desde a grande explosão? que seja! que seja! ora! o que quero mesmo é que minha mãe volte, mesmo depois de morta, e com seus pés cansados das estradas longas e invisíveis e com suas mãos de árvores estéreis encha de espanto essa rotina emperrada muito provavelmente, se tiver sorte, terei meu nome escrito numa pedra fria e cara. Meu nome completo, e com um I aos invés de um Y, escrito por um funcionário fracassado, de gravata torta, um homem entediado e com halitose. e o que há de novo nisso, deus? não é assim, mesmo depois das primeiras pegadas nas areias brancas, negras, e virgens do mundo? que seja! que seja! ora! o que me importa mesmo é que meu pai volte, mesmo depois de morto, e venha me pegar no banco da escola há muito demolida que me dê a mão calejada e de ...