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Mostrando postagens de janeiro, 2023

Vestido Azul

chega sempre em seu belo vestido azul senta-se como se ali fosse morar deixa que lhe beije os pés, as mãos, às vezes, os joelhos, nunca as coxas além disso, impensável alguns tentaram - deuses admiram os ousados, mas não os toleram por muito tempo – mas sucumbiram diante daquele sorriso indefectível é filha de um deus tem nome de homem, mas é mulher seduz, mas não cede às vezes, com ar de menina travessa pisa na cabeça do vassalo que ainda lhe lambe os pés soa o relógio preciso e algoz aquele que só damos conta quando vibra o toque derradeiro então, ela, a entidade etérea levanta-se como quem goza e deixa-nos em agonia numa cama qualquer.

Água-Vida

Como leitor voraz, por muito tempo, resisti à Clarice. Sei lá por quê, apenas resisti. Talvez porque falassem muito dela. Todas as mulheres pareciam ser Clarice. E algumas eram, não a Lispector, mas Clarice. Muitos leitores proferiam frases que não eram da autora. Não que eu a lesse, já disse, não a lia, mas via, em outros livros, teóricos negando a origem das máximas. E outra, sem saber se eram ou não de Clarice, eu não gostava das frases.      Clarice disse uma vez, quando lhe emprestaram As Reinações de Narizinho - um livro que idolatrava - que ela procurou imaginar, vez em quando, que não o tinha à sua cabeceira, só para ter de novo e de novo a prazerosa certeza de que o tinha, sim, bem ali. Então penso que eu resistia a ela para ter a certeza de que estava ali, bem na minha frente, desafiando-me sempre e sempre.      Clarice me pegou por um dos seus contos: "Os desastres de Sofia" - autobiográfico - . Um conto perfeito. O li de uma assentada e logo em ...