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Mostrando postagens de novembro, 2024

Ela

o corpo flutuando na ausência na melancolia da tarde a tarde não vivida passos leves, vozes abafadas como se com receio de despertá-la e ela ali sem ela feliz como nunca fora as mãos frias sobre o peito frio oco de vida e ainda na vida. e ela ali tão quieta como nunca fora os pés juntinhos, frios e ausentes de passos. - nunca mais? - as mãos frias sobre o peito frio como se em sua costumeira sesta

Tantas quedas

Duas pernas apenas e tantas quedas. Essa pode ser uma boa medida de uma vida, não? Pensei nessa frase, assim como alguém que percebe que precisa pagar uma conta. E sobre quedas, não me refiro àquelas que aconteceram porque minhas pernas não sabiam ainda lidar com a minha recente e desengonçada existência. Perninhas feito dois carregadores levando o mesmo objeto para lugares opostos. Refiro-me às quedas nas quais não são os ossos, as juntas, a pele, entre outras coisas que estão em jogo, mas sim, o coração. E por coração, não trato exatamente, das querelas do amor. E que graça teria o mundo se não fossem essas querelas? E não é o amor impossível aquele que realmente se realiza? E não foi Hemingway que disse uma vez que se numa história duas pessoas se amam as coisas não podem terminar bem? Bom, sobre isso estamos conversados, não? Sobre o coração falo da força, do valor que você coloca nas coisas. Explico: desde muito pequeno, quis ganhar um forte-apache, e isso nunca aconteceu. Até que...

poderes secretos

Sempre detestei tirar fotos para documentos. Até hoje gosto daquelas onde fui pego de surpresa. Mais ou menos como estar num mundo e olhando pra outro. O sorriso que só é doado quando não é pedido. O olhar que olha e que vê quando alguém não lhe pede que olhe e veja. Apenas é. Precisam ver o meu olhar enviesado para aquele não-eu na foto. Feio como nunca fui tanto, pelo simples fato de que não se faz um ser humano em apenas um clique, mesmo que seja só cabeça e ombros. A natureza não dá saltos, muito menos cliques, A coisa demora. Deus leva uma eternidade para tirar uma 3x4 nossa. No meu tempo – digo naqueles anos loucos e turvos quando tiramos fotos na mesma proporção que as espinham estouram na nossa cara imberbe – não podia sorrir na foto. Poder, podia. Sempre pôde. Era aquele fotógrafo emburrado que não gostava de sorrir. Vivia em seu cubículo de amargura cheirando a reveladores e fixadores químicos: uma coisa meio xixi no álcool. - não ria que estraga a foto. Documento é coisa sér...