as Horas num arrastar-se de ferido a travessia impossível do dia a realidade - lâmina afiada feito os olhos tristes do meu pai - noite; sombra mefistofélica [na testa fria o invisível inimigo com martelo e cinzel a cavAr, a cavAr [sem descanso no meu peito de náusea mármore náusea nau sea afago de uma morta nos meus anseios [de cortinas sem vento encardido tempo o pianista esquálido numa fuga tosca luvas de veludo sobre as teclas do tédio - verde - uma sala grande que não me sabe seta para o nada logo a madrugada vai chegar com cheiro [de terra molhada morro, às vezes, nunca ressuscito.
Blog do escritor brasileiro Reynaldo Bessa