Em feiras e festas literárias, bate-papos com aspirantes a escritores, estudantes etc. nos quais participo todos os anos, há sempre uma pergunta que salta da plateia e que, primeiramente, causa silêncio, para logo em seguida se tornar um frisson: “o livro em seu formato físico vai acabar?”. E com algumas variantes, dou a mesma resposta. Quero dizer, faço outra pergunta: “o que você diz por “acabar?”. Desaparecer completamente do mundo, assim como algumas civilizações? Brincando digo que ainda convivemos com a Pedra de Roseta, os hieróglifos, os livros escritos na idade média. Convivemos com o rádio, a tv, a fotografia, o cinema. Até encontramos fichas telefônicas por aí. Reforço que há inúmeros colecionadores em busca de livros raros. E que enquanto mais raros, ainda melhor. O que sei é que há alguns livros muito bons, e muitos livros ruins. Quanto aos últimos, seu próprio código interno e natural elimina-os. Para estes não há a necessidade de uma "ameaça" digital, que seja. ...
Blog do escritor brasileiro Reynaldo Bessa