assim como um dia, Clarice voltou à terra onde criou-se, e por algumas horas, da janela do velho hotel, contemplou a pequena pletzele, eu também, em outra terra, da janela de outro hotel contemplei a pracinha, os pequenos jardins, os taxistas sorrindo com mais malícia do que dentes flertando com as empregadas domésticas, vi a malemolência da tarde sentada num banco feito uma mulher obesa assim como Clarice, por um bom tempo - sabe-se lá quanto - debruçada na janela olhou a menininha eu também olhei o menininho olhei e olhei ele corria ali olhei tanto, tanto, acho, que meus sapatos cresceram, que minhas roupas afrouxaram, que meus membros afinaram foi quando senti vontade de puxar carrinhos, de soltar pipas. e de também chorar choro silencioso e sozinho, sem lágrimas, seco feito o solo da terra que nos acolheu
Blog do escritor brasileiro Reynaldo Bessa