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Não à lâmpada de Aladim.


Rejeitar a lâmpada de Aladim. E por que não? Como escolher três grandes desejos diante de um desengonçado gênio da lâmpada, de olhos sisudos, braços cruzados e com uma enorme vontade de apreciar sua recente liberdade? Eu pediria um Iate? E onde eu o guardaria? Como mantemos um Iate? O que realmente devo fazer com ele?
Posso também pedir uma parceira que me ame eternamente? E o que seria isso? O que seria de verdade um amor eterno? E eu estaria pensando verdadeiramente em amar eternamente essa companheira? E eu estaria levando em conta o que ela é, sente, almeja? Eu deveria fazer isso com ela?
Ora, mas estes são pedidos egoístas. Certo, mas se eu pedisse igualdade para todos? Ele teria algum modelo para se guiar? Desde quando o mundo foi igualitário? E como se mede isso? E como eu explicaria isso a ele? Como eu poderia explicar as díades antagônicas, as dicotomias, as antíteses que se formaram e se fortaleceram no curso da história? E principalmente, tenho o direito de responder por todos? E pedir os três desejos já não seria violar o conceito de igualdade?
Mas e se eu pedisse todo o dinheiro do mundo? Pensaria no momento de quanto eu precisaria gastar para manter todo esse dinheiro do mundo? E no que transformar-me-ia? E como lidaria com aqueles que eu deixei completamente sem recursos?
Segundo René Girard, desejamos o objeto não porque há desejos nele, mas porque outrem também o deseja. Desejamos porque desejam. Além do mais, Schopenhauer dizia, em seu combatido pessimismo, que nos tornaríamos ainda mais arrogantes e vazios, caso todos os nossos desejos fossem plenamente atendidos.
A conquista leva tempo, e o tempo conta nisso. Ademais, quando ela chega, está repleta de derrotas temporárias. Há muitos fracassos sustentando a vitória que erguemos em nossos momentos de glória.
Rejeitar a lâmpada de Aladim. E por que não?
Sim. Passaria por ela, ali, fincada na areia em seu brilho eternal. Olharia para ela não como Ulisses amarrado ao mastro para resistir aos encantos da belezura das sereias, mas sim, procuraria ouvir muito bem as súplicas por liberdade do gênio, para que ele finalmente entendesse que nem todo desejo pode ser atendido, - por uma questão de segurança - e que principalmente, a vida não é uma barganha. A vida é uma experiência única, extraordinária, e que deve ser vivida passo a passo, sem saltos, para não corrermos o risco de tropeçar, ou quem sabe, perder a trilha. 

- reynaldo bessa -

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