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Nossas intrigas

E tínhamos as nossas intrigas
E como não?
E quando elas apertavam cada um buscava a saída possível:
Um ombro, uma festa, uma palavra ou a porta da rua.
E mesmo aqueles que iam longe
- Longe que pra mim era tudo que passava da grande sombra que a velha casa fazia no chão logo ao anoitecer –
Voltavam depois de dias como se apenas tivessem esquecido alguma coisa.
Porque apesar de tudo, havia aqueles almoções de domingo, e o cheiro do feijão, o jeito do velho logo ao pousar o copo sobre a mesa numa careta feliz. E todos aqueles anseios ainda sem selo do futuro. Planos feito passarinhos na iminência de voos. Os riscados dos pés, o vai e vem na cozinha, o entra e sai na sala. Os chiados dos refrigerantes e as panelas pelando que vez em quando pegavam algum desprevenido para gargalhada da maioria. Só uma espinha nova me preocupava. E eu poderia ter ficado nisso, não? Por que seguir em frente se o que se tem já te veste bem?
Até hoje, depois de muitos anos, sinto esse cordão umbilical invisível – será que eles cortaram mesmo – me puxando para todos aqueles reunidos à mesa no domingo ou em noites de chuva quando o vento trazia o cheiro de terra em sua cantilena.
- domingos e noites que estão dobrados e bem guardados em alguma gaveta do universo -
Sim, sinto o cordão puxar. E há dias em que o puxão é muito forte. 

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