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Foutez-moi la paix!

- Foutez-moi la paix! -
él está lejos y negociando en árabe
lleva armas para el afectado rey Menelik
todo está bien, hasta el poeta rechaza a la esposa del rey
hay polvaredas y caravanas interminables
la bocaza sedienta del gran desierto
el sol como una gran herida sobre el tedio bilioso
casi ninguna poesía
el pasado está sumergido en el hollín del rechazo
- Foutez-moi la paix! -
armas sí, esclavos, no. Que quede bien claro.
entonces, leones destrozan caballos,
y para devorar inválidos, lisiados, enfermos, muertos... hienas se escabullen por las grietas
de los grandes muros de la ciudad
en su ausencia, Harar es asolada por el hambre
el canibalismo muestra sus caninos de catedrales
el poeta cambia la absenta por la morfina. ¿Hacer qué?
la naturaleza parece querer cortarle las alas y las lenguas
en Marsella, arrancarle una pierna
llora, no por la pierna, sino por la mítica, y ahora imposible Zanzíbar.
despierta de una siesta, y en su último delirio, llama al desconsolado Djami
para dictarle una tarea que nunca será realizada.
mientras tanto, en Francia, de paria, alborotador, piojoso, crápula
pasa a ser llamado el padre de la poesía moderna.
- Foutez-moi la paix! -

um dos poemas do meu livro "Esta Vida Ou Outra Invenção" traduzido para o espanhol para uma antologia da Espanha (breve!)

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