A máquina Singer
O cheiro dos tecidos
do óleo
Os retalhos
Os pés e as unhas de esmalte carcomido
Meus olhos grandes
dentro dos olhos enormes do mundo
Minha boca aberta tentando palavras
ainda não
apreendidas
Mãos incertas brincando com os carretéis vazios
A vida emaranhando-se nas linhas
Vida azul, vermelha, amarela,
amarela,
vida-pálida
A mulher curvada sobre a máquina
feito um santo em oração
A agulha subindo e descendo
Tecendo destinos
nossos
Tão velha quanto o Velho Testamento
havia ali, naquela
boca aberta,
de perplexidade asmática,
a angústia de cerzir
todas aquelas incertezas
d
e s
c o s
tura
da
s
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