trago ainda o som do portão
o olhar da chegada,
da volta
o prato frio no forno
como um carinho adormecido
o gosto de pão e farfalhar de folhas
medo e vislumbre
sob a garrafa do café
a mesa em falso como o futuro
trago ainda o ruído dos roncos na casa
a trégua dos dias,
da luta
o canto mudo no coração
feito uma reza num envelope
o gosto de pão e latido de cães
sono e vigília
num guardanapo amassado
o passado numa sirene
dentro
da noite
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