assim como um dia,
Clarice voltou à terra
onde criou-se, e por algumas horas,
da janela do velho hotel, contemplou a pequena pletzele,
eu também, em outra terra, da janela de outro hotel
contemplei a pracinha,
os pequenos jardins,
os taxistas sorrindo com mais malícia do que dentes
flertando com as empregadas domésticas,
vi a malemolência da tarde
sentada num banco feito uma mulher obesa
assim como Clarice, por um bom tempo
- sabe-se lá quanto -
debruçada na janela olhou a menininha
eu também olhei o menininho
olhei e olhei
ele corria ali
olhei tanto, tanto, acho,
que meus sapatos cresceram,
que minhas roupas afrouxaram,
que meus membros afinaram
foi quando senti vontade de
puxar carrinhos, de soltar pipas.
e de também chorar
choro silencioso e sozinho,
sem lágrimas, seco
feito o solo da terra
que nos acolheu
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