chega sempre em seu belo vestido azul
senta-se como se ali fosse morar
deixa que lhe beije os pés,
as mãos,
às vezes, os joelhos,
além disso, impensável
alguns tentaram
- deuses admiram os ousados, mas não os toleram por muito tempo –
mas sucumbiram diante daquele sorriso indefectível
é filha de um deus
tem nome de homem,
mas é mulher
seduz, mas não cede
às vezes, com ar de menina travessa
pisa na cabeça do vassalo que ainda lhe lambe os pés
soa o relógio preciso e algoz
aquele que só damos conta quando vibra o toque derradeiro
então, ela, a entidade etérea levanta-se como quem goza
e deixa-nos em agonia
numa cama qualquer.
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