Eu nunca lutei pelo sucesso, pois sempre tive muito medo dele. Não saberia lidar com isso. Virgínia Woolf, uma escritora inglesa ,disse uma vez: "não quero ser célebre nem grande. Quero avançar, mudar, abrir meu espírito e meus olhos, recusar ser rotulada e estereotipada. O que conta é liberar-se por si mesma, descobrir suas próprias dimensões, recusar os entraves". Penso da mesma forma. Lutei mesmo, minha vida toda, pelo reconhecimento do meu trabalho, tanto da parte dos meus pares - principalmente - quanto do público. Reconhecimento é a chancela de qualidade do trabalho. Perdura. Quando refiro-me a sucesso, falo também da fama. Fama é barulho, badalação, festa, fumaça. Gabriel Garcia Márquez disse que a pior coisa que pode acontecer a um ser humano é ficar famoso. Daí em diante, ele nunca mais saberá se está sendo ele mesmo ou o que o povo pensa dele. Venho de uma família simples. Meu pai, num dia quente, gostava de comprar picolés pra todo mundo e ficar chupando-os sob uma imensa mangueira, lá no quintal. Penso que se tivesse de levar uma única imagem, levaria essa. Viver sem roteiros, apenas indo a cada passo, como uma criança aprendendo a andar.
Quando vou conceder entrevista a uma rádio, sinto-me estranho. Preciso daquilo, sei, mas ao mesmo tempo me sinto como se não fizesse parte daquilo. Falar sobre o meu trabalho para pessoas sempre apressadas nos bastidores de rádios e tvs é como se eu fosse um santo e tentasse explicar, no meu tempo, por que e como eu faço os milagres. Nesses lugares, queria muito aquela espontaneidade quando eu chupava picolé sob a velha mangueira. Mas não dá.
Lembro-me de uma vez, quando eu fazia muito sucesso lá na minha terra, logo que lancei meu primeiro disco. Eu tocava em todas as rádios de lá - e muito - a ponto de nem eu mesmo me aguentar. Ouvir minha música tocando a exaustão era como se cada vez que ela tocasse, me pedissem para tirar a roupa. Bom, eu não era muito conhecido, minha imagem, entende? mas minhas músicas, sim, principalmente, uma delas. Então, eu ia fazer um show na cidade, tinha acabado de chegar e estava numa piscina de águas térmicas deliciosas. Pedi então, uma bebida. Não lembro o quê, acho que uma cerveja. Eu estava ali, quando uma garçonete, jovem, se aproximou e logo me serviu a bebida. Eu ouvia apenas o tilintar do copo, da bandeja. Ela me servia e me olhava de esguelha. Eu ficava cada vez mais sem jeito. Quando ela já ia saindo e eu já ia dar um gole na minha bebida para tentar atenuar aquele clima de rachar o quengo, ela parou, e com a voz embargada, contida, me perguntou se eu era mesmo fulano. Eu apenas disse que sim. Até onde eu sabia eu sabia que eu era eu. Ela fez uma cara de espanto e malícia e logo rebateu: "sério? "Eu achei que você fosse maior, mais alto". Eu não tive como rebatê-la, e para quê? Tomei a minha bebida e procurei não pensar em nada, mergulhando na água e em mim mesmo.
O fato é que eu a entendo. Não somos grandes, a arte é que é. Ela nos torna grandes. Ficamos gigantescos, dobramos de tamanho. Quantas e quantas vezes não ouvi alguém me dizer que fico maior no palco. Ah, como são gigantescos o Al Pacino, o Danny Devito, o Joe Pesci. Todos pequenos grandes gigantes. Quando fui saber que eles eram ainda mais baixos do que eu, fiquei pasmo. Como? Sim, esperamos que o artista seja do tamanho da sua arte gigantesca. Entendo a garçonete. Bom a fama tem dessas coisas. Por isso não quero e nunca quis a fama, não. Quero só e apenas o reconhecimento do meu trabalho como um trabalho. Em um dos meus primeiros discos há uma letra minha que diz: "triste daquele que tem seu nome maior que sua arte". Depois de muitos anos, sigo ainda essa velha cartilha. Penso da mesma forma. Tenho mesmo medo da fama, do sucesso, acho que não são mesmo pra mim. Quero apenas trabalhar até o fim, e quando este chegar, que eu esteja em cima de um palco, dentro de uma livraria ou num sebo, em meio a pessoas que nunca ouviram falar de mim. Tudo certo.
Quando vou conceder entrevista a uma rádio, sinto-me estranho. Preciso daquilo, sei, mas ao mesmo tempo me sinto como se não fizesse parte daquilo. Falar sobre o meu trabalho para pessoas sempre apressadas nos bastidores de rádios e tvs é como se eu fosse um santo e tentasse explicar, no meu tempo, por que e como eu faço os milagres. Nesses lugares, queria muito aquela espontaneidade quando eu chupava picolé sob a velha mangueira. Mas não dá.
Lembro-me de uma vez, quando eu fazia muito sucesso lá na minha terra, logo que lancei meu primeiro disco. Eu tocava em todas as rádios de lá - e muito - a ponto de nem eu mesmo me aguentar. Ouvir minha música tocando a exaustão era como se cada vez que ela tocasse, me pedissem para tirar a roupa. Bom, eu não era muito conhecido, minha imagem, entende? mas minhas músicas, sim, principalmente, uma delas. Então, eu ia fazer um show na cidade, tinha acabado de chegar e estava numa piscina de águas térmicas deliciosas. Pedi então, uma bebida. Não lembro o quê, acho que uma cerveja. Eu estava ali, quando uma garçonete, jovem, se aproximou e logo me serviu a bebida. Eu ouvia apenas o tilintar do copo, da bandeja. Ela me servia e me olhava de esguelha. Eu ficava cada vez mais sem jeito. Quando ela já ia saindo e eu já ia dar um gole na minha bebida para tentar atenuar aquele clima de rachar o quengo, ela parou, e com a voz embargada, contida, me perguntou se eu era mesmo fulano. Eu apenas disse que sim. Até onde eu sabia eu sabia que eu era eu. Ela fez uma cara de espanto e malícia e logo rebateu: "sério? "Eu achei que você fosse maior, mais alto". Eu não tive como rebatê-la, e para quê? Tomei a minha bebida e procurei não pensar em nada, mergulhando na água e em mim mesmo.
O fato é que eu a entendo. Não somos grandes, a arte é que é. Ela nos torna grandes. Ficamos gigantescos, dobramos de tamanho. Quantas e quantas vezes não ouvi alguém me dizer que fico maior no palco. Ah, como são gigantescos o Al Pacino, o Danny Devito, o Joe Pesci. Todos pequenos grandes gigantes. Quando fui saber que eles eram ainda mais baixos do que eu, fiquei pasmo. Como? Sim, esperamos que o artista seja do tamanho da sua arte gigantesca. Entendo a garçonete. Bom a fama tem dessas coisas. Por isso não quero e nunca quis a fama, não. Quero só e apenas o reconhecimento do meu trabalho como um trabalho. Em um dos meus primeiros discos há uma letra minha que diz: "triste daquele que tem seu nome maior que sua arte". Depois de muitos anos, sigo ainda essa velha cartilha. Penso da mesma forma. Tenho mesmo medo da fama, do sucesso, acho que não são mesmo pra mim. Quero apenas trabalhar até o fim, e quando este chegar, que eu esteja em cima de um palco, dentro de uma livraria ou num sebo, em meio a pessoas que nunca ouviram falar de mim. Tudo certo.
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