Com os nossos dedinhos sedentos, dar uma passada rápida - vupt, vupt - na coisinha é uma verdadeira overdose de informação. Às vezes fico paralisado feito o crocodilo vendo a manada de gnus passar a mil para atravessar o rio. O bicho espera que caia um gnu. Só assim poderá abocanhá-lo, mas nem sempre isso acontece. Os gnus atravessam com a intenção de fazer uma bela de uma refeição lá na outra margem do rio, não para virar almoço. Mas eu estava falando da deslizadinha rápida. Pois bem. Muita coisa acontece nesse gesto simples de passar o dedão, o dedo médio, o mindinho, ou sei lá qual dedo você usa pra fazer a coisa. O que sei é que é muita informação. Umas até que bem interessantes, outras nem tanto, e ainda outras, nada vezes nada elevada ao quadrado. Não sei qual é o resultado desse meu cálculo matemático, primeiro porque sou de humanas, segundo porque em exatas nada é exato. Lembro-me que quando fiz minha prova pra entrar na faculdade havia uma questão que tinha mais números que uma equação do Einstein, e que para minha surpresa, pasmem! o resultado era ZERO. Claro que errei a questão. Bom, acredito que no meu cálculo aqui, o resultado também seja zero.
O que acho que sei mesmo é que nesse vupt, vupt de dedos ansiosos e cenho franzido, nos deparamos com uma série de textos e imagens, que por vezes, parece-me que sou jogado com toda força numa dessas redes que alguns equilibristas mais medrosos ou sensatos, sei lá, usam caso possam vir a cair, para o medo dos frouxos de plantão ou para a risada dos cruéis. Nessas imagens e textos vamos do pico ao paco – não sei o que significa paco, usei aqui mais pela sonoridade – vamo que vamo, então: estão ali, as vaidades de sempre, as fotos paradisíacas de lugares distantes e inacreditáveis que, com certeza, eu nunca vou poder visitá-los – mas também não os quero-ô-ô – os relacionamentos: hoje risos, amanhã, oxalá! risos amarelos, as famílias se apertando em alguma mesa de alguma pizzaria – sempre um infeliz é cortado na foto - recém-nascidos, crianças, quarentões, senhoras, senhores, sexagenários, septuagenários e até além disso, rapazes, moças, enfim, todos e todas ali pra animar ou estragar a festa. Nunca se sabe. Há ainda os arranca-rabos de ideologias ou nenhuma, intrigas conjugais, fake news, mortes e mais mortes, e velórios, velórios, velórios. Vamos descendo a nossa timeline – prefiro. É mais bonito que linha do tempo. Esta, me lembra os filmes da década de 60, com o Doug e o Tony, que eu os assistia quando não tinha nada pra fazer além de me jogar no sofá de napa esfolado lá de casa e ficar sonhando em me perder no espaço com a família Robinson. Linha do tempo também me remete a algum estudo do Hawking refutando alguma tese do Newton ou do Feynman. Enfim, vamos nossa timeline abaixo sem saber o que encontraremos pela frente: se um par de coxas numa praia de céu nublado, com um livro – sempre um calhamaço – bem ali do ladinho, e algum textinho, tipo: “enfim, férias merecidas”. Ou um árabe casando-se em Dubai e passando a lua de mel nas Maldivas com aquele azul do mar que mais parece coisas do Photoshop. Ou mesmo uma pontada no peito por acabar de saber que aquele seu amigo da 5ª série que se sentava bem do seu ladinho na carteira estropiada e que, durante a aula, comia inteirinha a borracha do lápis – eu sempre me perguntava por que ele não pedia de uma vez por todas que a mamãe dele fizesse borracha no jantar. Mas, cada um, cada um, né? - e ainda, que a mamãe dele nunca conseguia comprar a cor azul tristeza padrão da calça do nosso uniforme. Quando estávamos lá no pátio, em forma, sob o sol do Saara nordestino fritando o nosso quengo, avistava meu amigo, ali, entre nós, feito o perdido e entrão patinho feio que nunca viraria cisne, pelo simples fato de que nesse vupt, vupt na minha timeline, soube que ele morrera. Por isso a pontada no peito. Por falar nisso, o facebook tem sido um verdadeiro obituário e um quadro de avisos de missas de sétimo dia. E o pior é que apesar dessa avalanche de informações, estou sempre atrás nas datas. Às vezes, tenho de me trocar rapidamente, pra chegar a tempo ao crematório ou ao enterro de alguém, sem contar que sempre pego os últimos bancos nas tantas missas. Doído, doido. Pois é, é nesse desce e desce que também ficamos sabendo daquelas coisas das quais não temos mesmo a certeza se são doces ou amargas, boas ou ruins, tristes ou alegres, sei lá. Mais ou menos como pôr na boca jiló, uva e morango, depois fechar os olhos enquanto mastiga e tenta descobrir que diabo está mesmo acontecendo ali, no teu paladar. O que quero mesmo dizer é que por esses dias vi a foto da minha ex, lá dos tempo mais idos que o tempo pode voltar, vivenciando uma separação dolorida. Vi aquilo e sinceramente, não sabia se ria ou se chorava. Olhei um pouco entre uma lágrima e um sorriso, depois, dei um vupt, um foda-se, e fui. Num foi bem assim, mas preciso terminar essa crônica. Essas coisas tendem a nos levar longe. Então, há também umas coisas que deuzu livre, viu? Cursos de escrita ministrados por quem não sabe escrever e prometendo aos incautos da vez aprender a escrever um livro em uma semana, e o que é ainda pior, vender milhões, trilhões, ziiilhões. E pasmem ainda mais. Isso tudo mesmo o livro sendo uma verdadeira shit – nem só Jesus salva, o inglês também pode nos salvar – mas sim, uma verdadeira... bom, há ainda – sei, vocês já não aguentam mais esse texto. Tô terminando – os comentários que você precisa ler mil vezes pra entender. Como não os leio nem duas vezes, fico mesmo sem entender e mais vupt, vupt. Vambora!
Nessa descida ao inferno, vez em quando dá vontade de voltar ao paraíso. Alguma coisa interessante que ficou lá atrás e que você gostaria mesmo de rever. Mas, sinceramente, não volto. E quero ver aqui um que diga que volta. Duviddeódó. Bom, eu não volto mesmo nem pra rever aquela menina bonita que está provando apenas aquela folhinha que Eva lhe emprestou para a balada de logo mais. Não volto, juro, vou descendo. Até porque há tantas Evas hoje em dia, não? Além do mais, detesto subir ladeira. Gosto mesmo é de descê-las. Vou numa cadência mole, ressabiada e assobiando um samba do Adoniran. Vou que vou.
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