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Argentina 1985 - resenhas críticas

"Argentina 1985" (2022 - indicação Oscar melhor filme estrangeiro) de Santiago Mitre, com os atores Ricardo Darín e Juan Pedro Lanzani, entre outros e outras, é uma verdadeira lição ao Brasil da importância da justiça de transição. Dale.
O histórico julgamento que resgatou a democracia cerceada pelo golpe de Estado de 1976 tem como precedentes apenas o julgamento de Nuremberg (1945 e 1946 - sobre os crimes nazistas) e o julgamento de 1975 contra os coronéis gregos que lideraram o golpe de estado no país em 1967.
Nesse julgamento de 1985, nove líderes das três primeiras juntas militares que governaram a Argentina após o golpe de 1976 que, estabeleceu a ditadura no país, foram julgados e condenados por crimes de homicídio, tortura e até privação ilegítima da liberdade.
Os lideres militares já tinham sido julgados por uma junta militar, mas a coisa terminou mesmo em pizza. Tempos depois, alguns inquietos juízes resolveram abrir o processo e julgá-los novamente, dessa feita, por um tribunal civil. O promotor à época, Julio César Strassera e seu promotor adjunto Luís Moreno Ocampo foram brilhantes. Julio, que anteriormente, ao processo tinha sido acusado de não se posicionar contra o governo militar à época, com esse julgamento, acertou as contas consigo mesmo e com o povo argentino, assim, entrando definitivamente, para a galeria dos heróis da nação.
O texto de acusação preparado por Julio foi decisivo: uma rara e bela flor da melhor retórica e oratória do universo jurídico (um compósito das opiniões de grandes juristas, artistas de teatro, amigos influentes, clientes de bar e restaurante, e até da mulher e do filho pequeno do promotor) e que converteu-se num marco pela luta pela democracia .
Após o término de sua fala/leitura, durante o julgamento, o tribunal veio abaixo: alguns choravam, outros aplaudiam, gritavam. Muita emoção. Havia ali, um sentimento de representação, um clima, enfim, de justiça por tantos crimes medonhos silenciados por anos a fio.
O mais importante desse julgamento - essa é a opinião da maioria dos estudiosos, jornalistas, escritores, pensadores, políticos, e da maior parte do povo argentino - não foi apenas poder colocar na cadeia esses assassinos fardados (perpétua para alguns, anos de cadeia para outros, entre outras punições) mas fazer justiça a mais de 30 mil pessoas - entre desaparecidos e mortos - e principalmente, - vale ressaltar - mostrar as novas gerações (àqueles que já nascem numa democracia) que essa mancha na história do povo argentino - como também na de todos os países que têm/tiveram a sua democracia ameaçada - deve ser constantemente lembrada para que jamais, jamais seja repetida. "Nunca mais". Como disse Strassera encerrando a sua acusação: (
— Senhores juízes... Quero utilizar uma frase que não me pertence, porque pertence a todo o povo argentino. Senhores juízes: "nunca mais" — disse Strassera no tribunal, ao pedir que os crimes da ditadura de 1976 até 1983 não se repitam).
E pra terminar, antes que me esqueça, Ricardo Darín está brilhante no papel do promotor Julio Cesar Strassera. Realmente brilhante. Mas, sobre Darín, eu sou mesmo suspeito pra falar, ele é o meu predileto. Então, vocês mesmos confiram lá (Prime vídeo) e depois me digam, ok? Até.

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