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Bem devagar, num divagar

Devagar, isso, bem devagar leia um bom livro, num divagar devagar, no seu tempo. Essa coisa de curso para ler mais rápido é balela, onda, falta do que fazer, do que dizer, vazio. Não lemos quantidade, lemos qualidade. Quando vejo esses cursos não sei se rio, se choro ou se esmurro o carinha. Leia um bom livro como um carro velho subindo ou descendo a ladeira. E aprecie quando estiver subindo, quando estiver descendo. Veja, observe, vivencie, guarde, sinta. Leve o livro pra passear, pra tomar um café, conviva com ele, risque nele, torne-o seu, exagere na marginalia, envelheça com o livro. Leia as histórias ali, em seu livro, mas também conte algumas para ele. Mortimer J. Adler, um educador, dizia que bom mesmo era ler um mesmo livro (um bom) três vezes: uma para conhecer, outra para apreender, e a terceira para refutar o autor. Se for o caso. Leia de boa seu livro. Faça isso, e bem devagar, devagar como quem come uma iguaria rara, como quem dorme num beijo, como quem pisa um solo virgem. Depois, com carinho, guarde-o na estante para um sono temporário ou dê ele para alguém, o que é ainda melhor.

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