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Por esses dias

por esses dias olhei as minhas mãos
e elas não eram minhas
- e não era eu, ali, olhando-as -
as mãos eram da minha mãe
dela eram também os meus olhos
me senti linda, mulher e tão mãe
mãe que nem a minha mãe
- um pouco cansada, sim –
até suspirei feito ela só
- e era meu o suspiro? -
aquele queixume que vinha da consciência
da sua grande força alvejada
dia a dia, mas ainda força
- mulher consegue -
eu olhando pelos olhos meus de minha mãe
as minhas mãos dela.
foi tudo rápido e tudo tão
intenso e fugaz feito um
r a i o
- eu não sendo para ser ainda mais -
tanto tempo e tudo ainda
aqui, ali, em todo lugar
em nenhum, nada
- e a vida arisca riscando os trilhos -
mãe, hoje, eu poderia ser teu pai,
sabia?

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