esses latidos
longe
facas cegas, frias
na pele
a noite
mordiscando o tempo
o mundo
casa grande de portas escancaradas
para ninguém
quem sou eu no desaguar do dia?
cheiro de comida
a vida vivendo
num pulular ardiloso de crupiê
o que é isso que dói e não dói
no que é e não é peito?
o que é isso que rói e não rói
no que é e não é leito?
sou este ser sem ser
acuado entre
o pai e o filho
um miado como que vindo do passado
são miados, os mesmos
e eu nunca
essa vontade-lâmina
ilha
ínfima-vida de asas, leves
breves
no corte abrupto do desespero
de sempre
não há voo
não há mais nem caminhar
só este fardo
em meu corpo
de anjo tosco
no lusco-fusco
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