Meu pai e sua 007
A 007 e o meu pai
irmãos num conluio contra o dia,
contra as impossibilidades
contra a morte
os lábios estalando fugas úmidas
e a outra presa por aqueles dedos gordos e tensos
que seguravam a alça carcomida da melancólica 007
como se estivessem tentando prender a própria existência
a busca do impossível necessário
a refrega diária e sem sentido
idas que nunca foram
voltas que nunca voltaram
feito um parafuso espanado
um gorduchinho, teso, em sua roupa apertada
indo, rumo ao penhasco dos esperançosos, ingênuos & infelizes
com o aluguel bem sobre o seu cocuruto
feito a espada de Dâmocles,
o Velho tirano de Siracusa
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