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Holodomor

é a lua da triste safra
anjos despencam do céu sinistro
cambaleiam pelas ruas também sinistras
a sopa fria
a noite fria
a carne fria
- humana -
o gosto dos carvalhos na boca seca
sedenta
faminta
de alimentos,
dos tempos idos,
de paz & abundância
o capim suculento do grande celeiro do mundo
nhec-nhec-nhec-nhec
o vento
a desolação
o medo
"h o l o d o m o r"
é o bafejo pútrido que vem do calabouço
e que se espalha pelas vielas vazias
dor & dor & dor & dor
a esperança é um canto de exortação
para que a marcha mantenha-se rumo ao abismo
para o abismo, para o abismo, vamos!
não há saída
nunca houve
nem nunca
haverá
a não ser que alguém
tenha a coragem de contar a verdade
a história verdadeira
desde o começo
desde lá, quando os homens voltaram a andar
sobre os quatro membros
quem se habilita?
quem se arrisca?
sua família será aniquilada
seu corpo será arrastado pelas ruas
seu nome será jogado na lama
sua alma também.
e o homem de sorriso retorcido
- e quem diria, ele lê Maiakovski -
permanecerá indiferente
ali, com as mãos para trás
- burilando o fim do mundo -
ele ali, ali, em seu uniforme bem-passado
- por sua escrava -
e com o seu coração
- no meio do peito? -
mais cruel que aquele inverno
mais gelado que
aquela fome
vermelha
de morte

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