Terminei os trabalhos aqui em Itapetininga e agora estou no Butiquim. Estou tomando uma RT166: uma cerveja artesanal da cidade. Estou comendo o bolinho de frango que é o carro-chefe daqui. Uma delícia. Estou lendo as crônicas do Ferreira Gullar, que adoro. Bom, isso daria uma crônica, mas estou com preguiça. Gosto de sair de sampa e me tornar invisível. Fico num canto, sozinho com as coisas que amo. É um sozinho acompanhado. Um estar só ao meu lado. Um falar comigo mesmo e me ouvir e me responder. Um apertar a mão de mim e perguntar como você-eu-estou-está? Gosto desse abandonar-me e estar junto de mim. É quando sou o meu melhor amigo. É quando o grande sentido da vida é o sentido que você dá. É quando penso nos amigos. Aqueles que mesmo distantes estão tão próximos quanto esta cadeira aqui que toco e acaricio como se no rosto dos meus amigos que amo, e amo, e amo. Porque esse amor é esse olhar no espelho de mim mesmo. E é tão raro, tão caro, tão tao. Viver é agora. Intensamente, porque a zona de conforto é um mar conquistado. Avante!
Mas vi que isso aqui acabou se convertendo numa crônica. Sim, aquilo que pensei apenas para ser uma frase. A semente sem ser árvore. É que é uma preguiça boa. Mas foi, e o que foi é do mundo.
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