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Tanto

Imaginei
Tanto
Muito
Os rios sobre os teus pequenos montes & fendas secretas
As tuas mãos ligeiras e úmidas
tateando o corpo como a
tentar reconhecer
a geografia da própria carne
Tenra
Terra
Ah, teus pés sólidos sobre os azulejos
Deus, quantos anjos aquele ralo não deve ter contemplado
Talvez por isso, aquela inércia, não?
O sol, na soberba de astro, pelo basculante, acendendo ainda mais os teus olhos acesos de ódio e amor jovens.
Imaginei
Louco
Tonto
O esfregado malemolente e preciso
Samba cadenciado
As serpentes de água correndo pelos
Idílicos países do teu corpo que eu jamais visitaria. Havia sempre um céu nublado para os aviões dos meus anseios que morriam nas solitárias pistas dos meus aeroportos mais ensandecidos de ti,
de ti, de ti, de ti
- isso, assim, como um canto de um pássaro -
Por diversas vezes, colei o meu ouvido faminto na porta, e, com o coração trepidante, - como quem se aproxima do portal do paraíso, mas traz o receio do seu nome não se encontrar na lista dos eleitos - ouvi o chiado da água.
- e quis ser água, quis ser -
Ouvi o teu assobio, as canções inventadas para cada banho teu.
- e quis ser aquelas canções, ainda mais teu assobio -
Era como o canto das sirenas mais ardilosas.
Ouvi ainda o frufru da tua toalha, e por diversas vezes, me perguntei se não era aquele som o ruflar das tuas asas.
- e sim, quis ser as tuas asas -
Mas, eu quis mesmo ser o teu sabonete
- que andarilho conseguiu ir mais longe no mapa-múndi teu? -
Quis ser ele, mesmo quando você, com pressa,
deixava-o ali, só, ainda espumando de sofreguidão.
Lembro-me - como se todos esses anos se condensassem em apenas um segundo - do teu grito:
_ mãe, a senhora viu o meu sabonete?
Foi o meu primeiro e último roubo.
- se outros existiram, não lembro -
E para que roubar algo mais
se eu já possuía tudo?
Tanto
Toda a riqueza do mundo
em meus dedos trêmulos
Felizes.

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