no meu quintal
há um rio
i m e n s o
suas águas são calmas e claras
ouço os gritos dos meninos
de ser meninos
banham-se no rio
somem e logo aparecem feito peixes afoitos
montanhas ao longe em suas inércias longevas
são monges em meditações profundas
em tudo paira a sabedoria secreta da existência
sei disso - o silêncio me diz - mas não sei disso
- o turbilhão das coisas me entorpece -
vivo como peixe escapando e logo voltando ao anzol
- armadilha constante -
seria a existência - este ciclo divino e cruel - uma verdadeira armadilha?
ouço o rio
é um chiado de beleza
i n t e n s a
de chegadas e partidas
de encontros e desencontros
é como se eu tivesse ouvido esse som
muito antes da minha existência
e agora aqui estou
e ouço minha voz no coro dos meninos
que se banham
Sou este coro
sou eu e sou outro
sou muitos
é imenso o meu quintal
é imenso o meu rio
e nele corre a minha vida
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