as
Horas
num arrastar-se de ferido
a travessia impossível do dia
a realidade
noite; sombra mefistofélica
[na testa fria
o invisível inimigo
com martelo e cinzel
a cavAr, a cavAr
[sem descanso no meu peito de náusea mármore
náusea
nau sea
afago de uma morta nos meus anseios
[de cortinas sem vento
encardido tempo
o pianista esquálido numa fuga tosca
luvas de veludo sobre as teclas do tédio
- verde -
uma sala grande que não me sabe
seta para o nada
logo a madrugada vai chegar com cheiro
[de terra molhada
morro, às vezes,
nunca ressuscito.
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