Quando eu ainda falava o idioma das coisas inanimadas,
as gotas prateadas da chuva eram como contas do colar rebentado do pescoço da noite e
vez ou outra, o vento, mais asmático do que eu,
arrastava parte dessas contas contra a minha janela
que dava para a rua.
as gotas prateadas da chuva eram como contas do colar rebentado do pescoço da noite e
vez ou outra, o vento, mais asmático do que eu,
arrastava parte dessas contas contra a minha janela
que dava para a rua.
a rua com ruídos, vozes e latidos sem donos.
nisso eu me encolhia na minha cama
- precisamos de outras coisas além das medidas exatas
de uma boa cama? –
e já quase no terreno do sonho,
nisso eu me encolhia na minha cama
- precisamos de outras coisas além das medidas exatas
de uma boa cama? –
e já quase no terreno do sonho,
quando margens brancas de praias desertas e
distantes engordavam as minhas pálpebras,
eu sentia mãos cálidas esticando o meu lençol e
eu sentia mãos cálidas esticando o meu lençol e
em seguida um beijo gordo e mudo tocava a minha face
quando eu já não mais sabia se era beijo ou ondas das praias desertas e distantes.
ainda um arrastado de chinelos, batidos de panelas, estalos de ferrolhos
depois, o silêncio
então, o som dos tambores crescendo e crescendo e
ainda um arrastado de chinelos, batidos de panelas, estalos de ferrolhos
depois, o silêncio
então, o som dos tambores crescendo e crescendo e
levando consigo a minha imaginação: de onde vem isso?
quando descobri que o som dos tambores que vinha de longe
eram apenas homens e tambores,
parte dos mistérios da vida,
como dizia Gabo: foi para o caralho.
quando descobri que o som dos tambores que vinha de longe
eram apenas homens e tambores,
parte dos mistérios da vida,
como dizia Gabo: foi para o caralho.
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