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restos da tarde

restos da tarde
sobre a velha cristaleira da minha mãe
louças feito as mulheres gordotas de Botero
me contemplam do outro lado do vidro
como se de outro tempo
os ponteiros arrastando as horas num desânimo de funcionário
de aviso prévio
as casas em seus fastios
os homens sob os segredos dos seus chapéus
tudo tão aqui e tão distante
feito a lua daqueles restos de tardes
entre os meus dedos
franzinos

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