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na Martins

há muito eu passava na Martins,
comprava um livro, depois ia ao Domínio,
pedia uma cerveja. Não, não pedia.
O Márcio que trabalhava lá e me conhecia
me trazia a cerveja como uma mãe oferece o seio ao seu filho.
Eu, depois de um gole, esticava as pernas, olhava a Paulista e
abria o livro como quem conquista um país.
Faz tanto tempo. Ela ainda estava aqui dentro feito um pássaro
num ninho e eu estava em mim como um chapéu na cabeça
que já não se podia dizer o que era cabeça e chapéu.
foi tudo antes de me perder. Antes do fim do mundo
antes do antes. Foi quando todos se foram e eu me fui
o Domínio está lá, a Paulista também.
Eu, ela, nós é que não estamos mais.
Estamos, mas não estamos
como um busto de um tempo que se foi

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