o poema precisa deixar de
ser poema
- qualquer coisa, menos poema -
precisa tirar esta casaca puída e
e andar nu feito um hominídeo
e escrever na pedra
- ser fóssil, não poema –
precisa afrouxar a gravata e deixar tudo para trás
o poema precisa vir ao papel como o seu criador
veio ao mundo
depois
sentar-se num banco de praça
e, perplexo,
contemplar a vida
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