Manuel Bandeira contraiu tuberculose em 1904
um dia, temendo a morte, perguntou ao seu médico
quanto tempo de vida tinha
o médico, otimista, disse-lhe que cinco,
dez, quem sabe quinze anos, né?
dormia que era uma beleza
apesar disso, vivia que vivia a esperar a Indesejada das Gentes
só que com a casa limpa, a mesa posta e com cada coisa em seu lugar
então, morre sua mãe
publica As Cinzas das Horas
morre a irmã, sua enfermeira desde 1904
publica Carnaval
morre seu pai
Os sapos, um de seus poemas, é lido na Semana de Arte Moderna de 22
morre seu irmão
Publica Poesias
Publica outros tantos livros
gasta o que não tem
com os livros, não com ele
é eleito para a Academia Brasileira de Letras
candidata-se a deputado mas não se elege
- não se pode ganhar todas, principalmente quando já nasce perdendo –
continua publicando
morrem muitos amigos e amigas,
vão morrendo mais
é homenageado,
no Brasil e fora
No dia 13 de outubro de 1968,
- quase Dia das Crianças -
no Rio de Janeiro
morre, enfim, aos 82 anos,
Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho (1886–1968),
vejam, em decorrência de uma úlcera de duodeno.
sim, morreu, - é o que dizem por aí - mas não sem antes matar a tuberculose e enterrar seus entes mais que queridos: mãe, irmã, pai, irmão, amigos, amigas.
com poetas nem a morte pode.
afinal, Ela sabe que eles não
morrem,
apenas,
param para descansar a caneta.
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