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que nada

que país
que nada
que nação
que nada
só nos ferraram
apenas insultos, ameaças, taxas e leis:
lanças afiadas sob tecidos de veludo
não sou patriota, tenho medo dessas coisas
- aliás, tenho muito medo, cada vez mais–
que país
que nada
que nação
que nada
gosto dos bichos, não dos currais
gosto das flores, não dos jardins
além de tudo, tenho que sorrir
não parece, mas estou sorrindo
mas o que faço mesmo é aplacar os dias
é só o que tenho feito
não tenho medo da morte
é bem-vinda como a picada de uma serpente
com o tempo a vida vai perdendo a braçadas para Ela
eu não leio poesia, releio
tenho três poemas apenas sob o travesseiro
foi o que restou
- e me basta -
escrevo pouco, mas ainda não menos como gostaria
- e para quê? -
ainda posso ouvir as baionetas daquelas tardes
de vinagre e glacê
lembro-me da esperança de confeites
atirada aos cães
do bolo tremendo sobre a mesa
não, não gosto que me chame de poeta
- tenho um nome -
não sei o que é isso
eu sabia, mas perdi a noção do que seja
perdi muita coisa
principalmente, o que eu tinha de melhor
mas sobrevivi
e estou ainda
mais forte
não é assim que funciona?

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