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me encontrei com Raymond Carver

é muito bom encontrar um grande poema.
- vários deles -
ainda melhor é encontrar o grande poeta que os escreveu
Carver e poesia se mesclam
são vidas espelhadas
difícil mesmo dizer quem é esta e quem é aquele
o grande poema e o grande poeta
são uma coisa só
não os lados de uma mesma moeda
como costumam dizer
mas sim, o metal que a constitui
todo ele
há muito não encontrava poemas assim
há muito não encontrava poeta assim
tenho encontrado palavras
e palavras seguidas de outras não necessariamente
são poesia
poesia é outra coisa
de alguma forma, traz o poeta nas entrelinhas:
suas idas e vindas
mortes, vidas,
abandonos
o cigarro que ele acabou de apagar com a bota surrada
a luta com as palavras
e quem sabe, algum descanso
ah, aquele telefone ainda quente que acabara de dar notícias de morte,
as lágrimas doídas numa cabine telefônica,
apertada feito a dureza da vida
é bom encontrar Raymond Carver (1938-1988)
sou grato por isso
e aproveito para agradecer ao senhor anônimo
que lhe deu a antologia poética e a revista de poesia
aperto-lhe a mão
quem sabe não foi mesmo ali?
agora que terminei o livro de Carver
e o reli logo em seguida, e depois o folheei,
sinto como se ele tivesse acabado de sair daqui e
me deixado esse deserto todo.
deserto doído, doido, mas, de alguma forma,
cheio de vida e esperança
como ele mesmo disse:
"todo poema é um poema de amor"
só pode dizer isso quem conheceu o inferno

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