quando, à noite,
meu pai ligava o velho carro e
este respondia de cara
eu sabia que tudo ia bem
era um ronco cansado, mas era também
de emprestar algum
era o velho carro de sempre
ruindo como todas as coisas
mas ali, ali
ao ouvir aquele som,
da minha cama,
sentindo o cheiro de goiaba vindo do quintal,
imaginava o velho sorrindo feito
um físico que fecha, enfim, uma
equação complicada
o caravelo passava com aquele cansaço
de dançarino em fim de festa
- feito o meu avô voltando da lida -
e a lua, como se tivesse esquecido a panela no fogo,
ia apressada em seu passo de gordota
noite doce e redonda
de adormecer num estalar de língua
noite de dar água na boca
feito os quindins da minha tia
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