minha terra tem palmeiras – algumas –
mas confesso que não me lembro como canta um sabiá
faço este poema numa preguiça e desânimo danados
com os rumos que tomou a minha terra - ainda minha?
nem sei se o nosso céu tem mais estrelas
quantas mesmo tem por lá? – alguém contou? -
o que sei é que há muitos pombos traiçoeiros,
os bosques estão largados
e a nossa vida anda pela hora da morte
cismo muito à noite e de dia também
com as tantas contas a pagar – e com as tarifas, então... -
sim, minha terra tem palmeiras – por enquanto –
e sei lá eu do sabiá
não peço a deus que me permita voltar
pois aqui, já estou, ora
- as passagens aéreas andam tão caras -
ainda por cima sou ateu e
de mim cuido eu
mas de tanto aborrecimento
me dá uma vontade danada de me mandar
quem fica que cuide das palmeiras – poucas –
e alimente o sabiá
que, confesso, não o vi mais gordo por cá
a questão é para onde vou
já que por lá a coisa anda na mesma nota
- ou pior -
sem mais palmeiras
nem sabiá
afora o rátátátá
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