meu irmão já havia morrido
- e eu ainda não sabia –
quando cruzei o Universo
fui saltando numa alegria infantil
de menino pulando amarelinha
- o menino dentro do homem num rebuliço só –
Londres estava amanhecendo numa melancolia de fogs
e eu ali, atrapalhando o trânsito, com meus pés de nuvens
sobre a faixa de pedestres
um bailarino numa coreografia inventada na hora, ali
toda a minha vida – a nossa – na travessia do Universo
uma lágrima correu numa avenida de rugas
e eu vi os carros, a rua, as pessoas
tudo como se estivesse coberto por um véu
quando o mundo, enfim, adormeceu em meu peito, sorri
e foi pleno
a notícia veio, depois, como uma lâmina
e cortou tudo
anos depois, na mesma Londres e suas fogs,
joguei as cinzas do meu irmão sobre a famosa travessia
atravessamos, então, o Universo,
juntos, cantando Across the Universe.
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