no meu quintal há um rio i m e n s o suas águas são calmas e claras ouço os gritos dos meninos impetuosos em alegrias de descobertas de ser meninos banham-se no rio somem e logo aparecem feito peixes afoitos montanhas ao longe em suas inércias longevas são monges em meditações profundas em tudo paira a sabedoria secreta da existência sei disso - o silêncio me diz - mas não sei disso - o turbilhão das coisas me entorpece - vivo como peixe escapando e logo voltando ao anzol - armadilha constante - seria a existência - este ciclo divino e cruel - uma verdadeira armadilha? ouço o rio é um chiado de beleza i n t e n s a de chegadas e partidas de encontros e desencontros é como se eu tivesse ouvido esse som muito antes da minha existência e agora aqui estou e ouço minha voz no coro dos meninos que se banham Sou este coro sou eu e sou outro sou muitos é imenso o meu quintal é imenso o meu rio ...
Blog do escritor brasileiro Reynaldo Bessa