Quando questionado sobre uma provável crença em Deus, Voltaire respondeu: “Nos cumprimentamos, mas não nos falamos”. Já Hemingway afirmou: "sim, às vezes, geralmente, à noite". Penso que minha relação com Deus é um pouco assim também. Em tese, deixo-O lá e Ele me deixa aqui. Só de vez em quando, nos cumprimentamos e até esbarramos um no outro, mas nada além disso. Por essa relação assim, assim com Deus, vez em quando, tenho vontade de ir a uma missa. Quando vou, sinto-me o próprio Desplein, personagem de Balzac, no conto a Missa do Ateu. Mas, diferentemente do cirurgião cético e materialista, do conto balzaquiano, não vou ao templo para pagar missa para um pobre carregador religioso que me ajudara na juventude. Menos ainda vou à procura de Deus. Sigo ainda, desde a minha adolescência, os versos do poeta Rabindranath Tagore, que diz: “Abre os olhos e vê que o teu Deus não está diante de ti!" Ouço apenas a voz que me chama por dentro. Uma voz muito similar à da minha mãe m...
Blog do escritor brasileiro Reynaldo Bessa