Borges dizia que o amor exige presença, a amizade não. Sei o que o autor argentino quis dizer. Sei que se trata de algo muito mais além das minhas chorumelas aqui, porém, com todo respeito a esse escritor - que muito admiro - penso que, na amizade, a presença é necessária sim, pelo menos, nos momentos cruciais. Foi o que aprendi a duras penas. Digo isso porque lembrei-me agora de um grande amigo. Eu havia me separado. Meu peito era um velho, vazio e bolorento salão escuro onde eu me escondia de mim mesmo. A solidão, naquele momento, era como hera crescendo em meu desespero. O Empanadas, na Vila Madalena sempre festiva, para mim, naqueles tempos, não passava de um túmulo. Esse meu amigo, com seus dois ouvidos sempre generosos ouvia-me como um bom padre ouve um condenado prestes a entrar no corredor da morte. E não é esse sentimento turvo, profundo, doído, e tão sozinho, bem no meio do peito, um corredor da morte? Bom, era assim que eu me sentia. Sabemos que ninguém morre de amor. A maio...